“A vida é areia a se esvair por entre os 

 dedos do tempo.” 

 – Marco Teles 


O futuro logo ali, prestes a entrar no espaço do presente, assim que este se esgote no passado, “na ampulheta do tempo onde a areia cai sufocando sonhos não vividos” – JoRut. O tempo avança inexorável, sem delimitações, impossibilitando o rigor da fixação temporal de significativos acontecimentos, pela ausência absoluta de paragens. Imprecisões ou esquecimentos! Tantos e tantos registos perdidos pela velocidade permitida ao tempo que, em diversos momentos da vida, não foi considerado importante. Não faltariam muitas outras oportunidades, pensava-se! Mas, quem é o dono do tempo?... Imprudentes esses senhores dos dias que não dominam, pretensiosos controladores ou gestores de tempos que se lhes não sujeitam, falsos vendedores de vida que não têm nem garantem… “O tempo não volta para trás, tudo passa!” – mensagem inquestionável que vai aparecendo avisadora, repetidamente, em vistosos cartazes levantados na berma do caminho de todos, “de forma bem legível, para que a possa ler o que correndo passa” – Habacuc, 2. 


 “Sinto falta da criança que dorme à sombra 

 do homem que sou. Tenho saudades 

 daquelas asas que me levavam mais perto 

 de Deus” 

 – Marco Teles. 


Há todo um passado que dorme tranquilo, finalmente. Não foi fácil adormecê-lo, vencendo a agitação de um doloroso inconformismo; não era ainda a hora da criança dormir…. Contemplo-a no seu descanso. Percebo-lhe o manso sorriso. Prometo-lhe proteção. Guardo-a como a uma valiosa arca onde repousam riquezas invioláveis. Que falta faz a sua vivacidade; a alegria, a paz, a pureza, a inocência, as ingenuidades, até, iluminavam os dias! O tempo disse que era tempo de dormir! As crianças dormem cedo; que pena! Cessaram os voos, as asas deixaram de bater e o céu ficou mais longe! Que saudades da criança que agora dorme à sombra do homem que sou! Que saudades de Deus!... 


 “Nada mais frágil que as amizades humanas; 

 levam muitos anos a formarem-se e um 

 momento só as desfaz” 

 – Louis Bourdaloue 


Amizades humanas, o tempo vai testando a sua firmeza, o seu rumo. Vicissitudes diversas, em que o dia a dia é pródigo, por vezes fazem perder-se no nevoeiro da estrada muitos que sempre estiveram por perto. E, de repente, somos menos!... Mas haverá sempre um remanescente que permanecerá fiel!... 


O futuro já espreita, aguardando o declinar do dia. O fascínio pelo desconhecido que em breve começará a revelar-se faz presente uma ansiosa esperança que se deseja bem-sucedida em cada casa; bênçãos como chuva, bênçãos de Deus! 


E desta vez, contrariando o autor, leiam esta carta antes que o vento a leve… 


 “Um espelho não guarda as coisas refletidas! 

 E o meu destino é seguir… é seguir para o 

 Mar, as imagens perdendo no caminho… 

 Deixa-me fluir, passar, cantar… 

 Toda a tristeza dos rios é não poderem parar!” 

- Mário Quintana 



O Alemão


 2025.10.15





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