Árvore despida, ramos escanzelados, imagem triste e sombria de quem resiste de pé, teimosamente, no limite da sobrevivência. Pudica nudez, faz-lhe falta o manto que por algum tempo a cobriu. Pobreza de um final de ciclo. As flores murcharam, para sempre. Foi-se a beleza das cores e a doçura dos aromas. As folhas, uma a uma, até à última, despediram-se para sempre, também. Pisadas por caminhantes indiferentes, arrastadas ou levadas pelo vento para longe, abandonaram os ramos a que deram tanta vida. Mas, vencido o inverno, oxalá não demore a chegar a primavera!... Novas folhas e novas flores vicejarão nas árvores que pacientemente aguardam a brilhante alegria de um novo tempo, a renovação anunciada. “Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos” - Job, 14.
Quanto ao homem, “…rendendo o espírito, então onde está? Como as águas se
retiram do mar e o rio se esgota e fica seco, assim o homem se deita e não se
levanta” - Job 14. Esgota-se na vivência de cada dia. O que foi, não voltará a ser.
No que resta, transformar-se-á, irreversivelmente, adaptando-se aos imparáveis
desafios do futuro. Com o tempo, não se reconhecerá no espelho em que busque
traços do passado com que melhor se identificou. Lamentavelmente, em
mudança para todo o sempre!...
Mas, até que a última folha caia…
“Precisamos aprender a viver com o que ficou,
O Alemão
2025.10.16

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