“O VENTO voa,

a noite toda se atordoa,

a folha cai.

Haverá mesmo algum pensamento

sobre essa noite? sobre esse vento?

sobre essa folha que se vai?”

- Cecília Meireles


Árvore despida, ramos escanzelados, imagem triste e sombria de quem resiste de pé, teimosamente, no limite da sobrevivência. Pudica nudez, faz-lhe falta o manto que por algum tempo a cobriu. Pobreza de um final de ciclo. As flores murcharam, para sempre. Foi-se a beleza das cores e a doçura dos aromas. As folhas, uma a uma, até à última, despediram-se para sempre, também. Pisadas por caminhantes indiferentes, arrastadas ou levadas pelo vento para longe, abandonaram os ramos a que deram tanta vida. Mas, vencido o inverno, oxalá não demore a chegar a primavera!... Novas folhas e novas flores vicejarão nas árvores que pacientemente aguardam a brilhante alegria de um novo tempo, a renovação anunciada. “Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos” - Job, 14.



“Mas uma coisa é certa:
 
o que fomos um dia

não pode ser recuperado.

E isso nos transforma,

irreversivelmente,

Para todo o sempre”

- Laura Messina


Quanto ao homem, “…rendendo o espírito, então onde está? Como as águas se retiram do mar e o rio se esgota e fica seco, assim o homem se deita e não se levanta” - Job 14. Esgota-se na vivência de cada dia. O que foi, não voltará a ser. No que resta, transformar-se-á, irreversivelmente, adaptando-se aos imparáveis desafios do futuro. Com o tempo, não se reconhecerá no espelho em que busque traços do passado com que melhor se identificou. Lamentavelmente, em mudança para todo o sempre!...

Mas, até que a última folha caia…


“Precisamos aprender a viver com o que ficou,


com o que nunca imaginamos enfrentar,

renascendo de forma improvisada, quase antinatural.

Porque a vida exige de nós

uma força oculta,

um impulso que nem sabíamos possuir.

Quebrados, mas vivos …”

- Laura Messin



O Alemão


2025.10.16






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